{"id":801,"date":"2018-01-10T13:32:27","date_gmt":"2018-01-10T16:32:27","guid":{"rendered":"http:\/\/pertinente.com.br\/site\/?p=801"},"modified":"2018-01-10T13:32:27","modified_gmt":"2018-01-10T16:32:27","slug":"como-os-candidatos-mais-ricos-conseguem-esconder-seus-crimes-nas-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/2018\/01\/10\/como-os-candidatos-mais-ricos-conseguem-esconder-seus-crimes-nas-eleicoes\/","title":{"rendered":"Como os candidatos mais ricos conseguem esconder seus crimes nas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"articulo-datos\"><span class=\"articulo-localizaciones\"> <span class=\"articulo-localizacion\"><br \/>\n<\/span><\/span><time class=\"articulo-actualizado\" datetime=\"2018-01-10T13:41:58-02:00\"><abbr title=\"Brasilia Summer Time\"><\/abbr>  <\/time><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p><a href=\"http:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/UrnaEletronica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-802 aligncenter\" src=\"http:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/UrnaEletronica.jpg\" alt=\"\" width=\"468\" height=\"311\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas se atribui ao brasileiro uma &#8220;mem\u00f3ria curta&#8221;, especialmente quando o assunto \u00e9 pol\u00edtica. O bord\u00e3o vem \u00e0 tona com for\u00e7a de dois em dois anos, sempre que \u00e9 preciso ir \u00e0s urnas novamente. <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/30\/politica\/1498853815_405800.html\">Uma mala de dinheiro aqui<\/a>, um punhado de d\u00f3lares na cueca ali&#8230; Parece que tudo pode ser perdoado (ou esquecido) pelo eleitor na hora de digitar o n\u00famero de seu candidato favorito. Apesar disso, em um ano marcado por esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o que respingaram no presidente <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/michel_temer\/a\">Michel Temer<\/a> e em boa parte do Congresso, da esquerda \u00e0 direita, muitos acreditam em uma <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/16\/politica\/1489667385_693997.html\">depura\u00e7\u00e3o da classe pol\u00edtica<\/a> em 2018. Mas uma pesquisa aponta que no final das contas, tudo depende do dinheiro. Ou ao menos tudo dependia at\u00e9 agora. Segundo o estudo <em>O Custo Pol\u00edtico da Corrup\u00e7\u00e3o: Esc\u00e2ndalos, Financiamento de Campanha e Reelei\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados<\/em>, dos cientistas pol\u00edticos Marcus Melo, Ivan Juc\u00e1 e L\u00facio Renn\u00f3, a capacidade dos deputados federais envolvidos em esc\u00e2ndalos se reelegeram dependeu nas elei\u00e7\u00f5es anteriores de quanto eles desembolsaram na campanha.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Ou seja, quanto mais dinheiro um parlamentar tem para bancar propaganda eleitoral e outras despesas do tipo, mais curta fica a mem\u00f3ria do brasileiro com rela\u00e7\u00e3o aos seus malfeitos. E agora, com o <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/09\/17\/politica\/1442521595_941009.html\">fim do financiamento empresarial de campanha<\/a> determinado pelo <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/stf_supremo_tribunal_federal\/a\">Supremo Tribunal Federal<\/a>, fica a pergunta: ser\u00e1 que os parlamentares que est\u00e3o na mira da Justi\u00e7a conseguir\u00e3o fazer o eleitor esquecer?<\/p>\n<p>O estudo conclui que apesar dos deputados afetados por esc\u00e2ndalos de <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/corrupcion\/a\">corrup\u00e7\u00e3o<\/a> terem uma redu\u00e7\u00e3o em seu desempenho nas urnas (correndo, em muitos casos, o risco de n\u00e3o se elegerem), esse efeito pode ser atenuado ou e at\u00e9 mesmo apagado com gastos de campanha. A pesquisa abrange os pleitos de 1994 a 2010, e guarda semelhan\u00e7as com o que pode estar por vir em 2018, tendo em vista que o levantamento contempla as elei\u00e7\u00f5es realizadas em meio a um dos mais marcantes casos de corrup\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, o <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/caso_mensalao\/a\">Mensal\u00e3o<\/a> (2005).<\/p>\n<p>&#8220;O custo da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 claramente sentindo na carteira dos candidatos: eles podem ser reeleitos, mas ter\u00e3o que arrecadar 72% a mais, na m\u00e9dia, do que seus colegas que n\u00e3o est\u00e3o envolvidos em esc\u00e2ndalos, e 91% a mais do que gastaram na elei\u00e7\u00e3o anterior ao esc\u00e2ndalo&#8221;, <a href=\"https:\/\/journals.sub.uni-hamburg.de\/giga\/jpla\/article\/view\/957\/964\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conclui a pesquisa<\/a>, publicada em 2016. Isso equivaleria a aproximadamente 2 milh\u00f5es de reais, valor atingido por apenas 10% das candidaturas. Mas a elei\u00e7\u00e3o de 2018 coloca ainda outra vari\u00e1vel at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita nesta equa\u00e7\u00e3o: ser\u00e1 a primeira elei\u00e7\u00e3o para o Congresso <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/04\/10\/politica\/1428686197_023825.html\">feita com financiamento p\u00fablico de campanha<\/a>, ou seja, sem doa\u00e7\u00f5es de empresas. Ser\u00e1 que os candidatos citados por delatores da <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/operacion_lava_jato\/a\">Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato<\/a> conseguir\u00e3o atingir o valor necess\u00e1rio para que a propaganda suplante o suposto delito no imagin\u00e1rio do eleitor?<\/p>\n<p>Para viabilizar o pleito deste ano, foi aprovada pelo Congresso em 4 de outubro passado <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/06\/politica\/1507313702_415985.html\">um fundo bilion\u00e1rio para custear o processo<\/a> eleitoral. No total, ser\u00e3o realocados mais de 2 bilh\u00f5es de reais para esta finalidade (o antigo fundo partid\u00e1rio somava 1 bilh\u00e3o de reais). Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber quanto cada deputado ter\u00e1 dispon\u00edvel para gastar com propaganda, tendo em vista que o c\u00e1lculo depende do n\u00famero total de candidatos bem como do tamanho da bancada atual de sua legenda, mas \u00e9 consenso que o valor ser\u00e1 menor do que o das elei\u00e7\u00f5es anteriores. Al\u00e9m do fim da farra das doa\u00e7\u00f5es de grandes grupos empresariais &#8211; motivado em grande parte pelas descobertas da Lava Jato -, at\u00e9 mesmo as doa\u00e7\u00f5es de pessoas f\u00edsicas aos candidatos foram restritas (a um limite m\u00e1ximo de 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos por cargo em disputa), e colocou-se limite no auto financiamento do candidato (200.000 reais), que at\u00e9 ent\u00e3o era ilimitado.<\/p>\n<p>O professor de ci\u00eancia pol\u00edtica da Universidade de Bras\u00edlia L\u00faci Renn\u00f3, um dos autores do estudo, afirma que a tend\u00eancia no Brasil \u00e9 que os partidos n\u00e3o ajam como um &#8220;filtro&#8221; para pol\u00edticos acusados de corrup\u00e7\u00e3o. &#8220;Aqui as legendas protegem suas lideran\u00e7as envolvidas em esc\u00e2ndalos ao inv\u00e9s de puni-las&#8221;, diz. Segundo o pesquisador, apesar de eventuais danos de imagem que a sigla possa sofrer, &#8220;\u00e9 prov\u00e1vel que elas apostem em alguns nomes conhecidos do p\u00fablico, mesmo que eles tenham alguma pend\u00eancia jur\u00eddica ou condena\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar disso, Renn\u00f3 acredita que a taxa de reelei\u00e7\u00e3o este ano pode cair com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 elei\u00e7\u00e3o passada. &#8220;\u00c9 um fen\u00f4meno que verificamos durante o Mensal\u00e3o e o caso Sanguessugas. E a Lava Jato teve um amplitude maior ainda, houve um choque informacional muito grande para o eleitor com rela\u00e7\u00e3o a estes esc\u00e2ndalos&#8221;, diz. O professor tamb\u00e9m aposta no <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/08\/04\/politica\/1407162732_889288.html\">aumento de votos brancos e nulos<\/a>, tendo em vista pesquisas de opini\u00e3o que revelam um descr\u00e9dito do eleitor com o Legislativo como um todo. &#8220;Este aumento no n\u00famero de brancos e nulos poderia, em \u00faltima inst\u00e2ncia, favorecer candidatos que dependem do quociente eleitoral para conseguirem uma vaga&#8221;, afirma.<\/p>\n<h4>Cai no esquecimento<\/h4>\n<p>Quanto \u00e0 &#8220;mem\u00f3ria curta&#8221; do eleitor, Renn\u00f3 acredita que ela \u00e9 tamb\u00e9m uma decorr\u00eancia das particularidades e da complexidade do nosso sistema pol\u00edtico. \u201cEle facilita o esquecimento, porque \u00e9 complicado entender como funcionam as elei\u00e7\u00f5es legislativas no pa\u00eds: existem muitas regras, quociente eleitoral, e tudo isso provoca uma dificuldade de entender porque um candidato n\u00e3o foi eleito\u201d, afirma. \u201cIsso dificulta a capacidade do eleitor de acompanhar o trabalho de seu representante\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Nara Pav\u00e3o, cientista pol\u00edtica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirma que deputados e senadores s\u00e3o &#8220;blindados&#8221; pela pouca exposi\u00e7\u00e3o. \u201cA acusa\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o pesa mais contra o candidato do Executivo, uma vez que o Legislativo tem bem menos visibilidade\u201d, diz. No entanto, ela acredita que est\u00e1 em curso na sociedade uma \u201ccampanha anti corrup\u00e7\u00e3o\u201d, que pode fazer com que haja uma renova\u00e7\u00e3o maior na C\u00e2mara. \u201cPesquisas mostram que o eleitor n\u00e3o pune seu candidato por envolvimentos com esc\u00e2ndalos. Agora \u00e9 preciso ver se em meio a uma crise pol\u00edtica como essa isso continuar\u00e1 sendo verdade\u201d.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 de que os parlamentares tentem compensar a falta de recursos privados se valendo de uma outra novidade da reforma pol\u00edtica: a permiss\u00e3o para impulsionar conte\u00fado eleitoral na Internet, com destaque para o <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/facebook\/a\">Facebook<\/a> e outras redes sociais. At\u00e9 ent\u00e3o este tipo de propaganda era vetada pela lei eleitoral. Na era das not\u00edcias falsas, este tipo de investimento parece um prato cheio para os candidatos compensarem a falta das doa\u00e7\u00f5es empresariais. Para a professora Nara Pav\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e9 que as redes sociais tenham um impacto cada vez maior no pleito, podendo at\u00e9 mesmo ser decisiva para o eleitor. \u201cAs elei\u00e7\u00f5es que levaram Donald Trump ao poder s\u00e3o um exemplo claro de como as <em>fake news<\/em> podem decidir um pleito\u201d, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/08\/politica\/1515440006_657001.html\">El Pa\u00eds<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 d\u00e9cadas se atribui ao brasileiro uma &#8220;mem\u00f3ria curta&#8221;, especialmente quando o assunto \u00e9 pol\u00edtica. O bord\u00e3o vem \u00e0 tona com for\u00e7a de dois em dois anos, sempre que \u00e9 preciso ir \u00e0s urnas novamente. Uma mala de dinheiro aqui, um punhado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":802,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[130,262,263,261],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/801"}],"collection":[{"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=801"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/801\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":803,"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/801\/revisions\/803"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/802"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pertinente.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}